9.6.18

Magia

cheiro de canela
vela vermelha acesa
bolo de chocolate no forno
tomando o ar:
respiro
magia
magoa

3.6.18

MM

quando ouvir o vento
chacoalhando as folhas
lembre-se de mim

o vento arvoando
os arvoredos das ruas citadinas:
você vai lembrar de mim

na noite redonda ou quadrada
na nota só ou quadrifônica
com sono ou insônia

o prazer que o crepitar
das folhas ao vento causa em mim
trará a você um gozo espe(ta)cular

barrocaremos juntos, uni-duais

30.5.18

Na capa

matando
fome
a tapa

tapa
matando
a fome

a fome
matando
no tapa


Incenso

acendo um
atrás
do
outro

para manutenção
do meu vício
transcendental

se fosse música?
será arte?

17.5.18

Existir cajuína

Hálito de castanha
de caju, doce
Na terra do Sol
com chuva, do dia
Olhar de sono e preguiça:
Querem que sejamos
Sempre sol

8.5.18

Sou Luísa: “espada nua”

Suas mais fortes acariciaram o livro demoradamente
Rubem Fonseca


o velho babão
leva pela mão
o meninão
(ovelho lobão)
Me dá sua mão
O teu desejo é sempre o meu desejo
Dois adultos rolando papéis (nos dedos -
muito grossos, claro - e na persona):
          adulto-menino
          adulto-velho

Eu - babo também
e me acabo ninguém

Comigo-ninguém-pode
Sou flor: todos podem.

11.4.18

Porto libertação

coração inquieto e uma gula enorme
queria entrar na fila - já que há
e comer essas ideias indigestas
processá-las com um estômago de pedra
mirar um grande arroto liberto
a cabeça caída para trás
criar um grande espectro de bafo
abrindo em leque para cima

desaguando em Norte, em céu
enquanto, no ato, digo
com a voz gutural e mnemônica:

tomem vocês, de volta, suas merdas.
daqui pra diante, eu mesmo como como como
engulo e peido os meus cheiros

6.4.18

Mímesis?

qual o que! Esse é o tempo da emulação memética.

30.3.18

Vou ficar aqui pelo tempo de uma vela. Quando sua solidez começar a liquidar, é tempos de ir, na liquidez, sabendo que depois, em diferente forma, ela novamente solidificará, como teria de ser, pela ação da chama que acendi. Quase no intermédio do processo, abro a porta e me vou para sempre.

29.3.18

Ana e Abraão

Hoje, diametralmente opostos
em relação à minha história
Futuramente, distantes ambos do que serei (será?)
E
Cada vez mais, um paradigma
que circunda a todos

Esses círculos concêntricos
parecem cada vez mais próximos
E tenho medo, e choro

Hoje, choro seus suicícidos
como se tentasse captar
aquele segundo final da vida
e ouvir aquela última epifania

Nunca saberemos