Quinta-feira, Fevereiro 09, 2012

De rien

O que eu digo?
Nada a declarar...

Sábado, Fevereiro 04, 2012

Nas alturas

A flor sustentando o caos
no intuito de ser árvore
Traz consigo a confusão evidente
Salta para o indefinível
Seu fino caule envergado
Marca da dor e da elasticidade

Apenas flor: seu caule jamais será tronco.

Quinta-feira, Janeiro 12, 2012

Dessas palavras que ouço,
nenhuma é novidade:
vindas, quase todas,
Da mesma boca -
Sedenta e incauta.
Do mesmo hálito de intenções
Do mesmo hábito imediatista

Desses fonemas espalhados,
nenhum ainda não vi: desde
princípios assaltam-me.

O que pareço ver hoje
(mas que também antes
já pareceu) é a boca
em ritmo de fala,
de gosto,
de alma,
de pensamento.

Será que hoje parece?
Será que é?
Será que às coisas é dado ser?

ou...
["parecer era tudo que as coisas sabiam fazer?]

Alea Jacta Est

É como arriscar pisar em nuvens ditraídas.

Sexta-feira, Dezembro 23, 2011

Deslua rua

Atravessei as quatro luas
com um risco.
Linear, perpassei suas
Formas: ovaladas.
Constante, perdi as
curvas
Dessa vida (des)encontrada.

Terça-feira, Dezembro 13, 2011

e-fusão


Percebo a presença da fumaça
Cheiro, turbidez, asfixia
De onde ela vem que não vejo fogo?
Nada é inquebrável
Há fumaça, não me engano.
Quebrantos perfazem os caminhos
Do fogo. Aquele mesmo que não vejo.
O único sinal que tenho é de fumaça...

[Reticências no preto-branco do rascunho]

Segunda-feira, Dezembro 05, 2011

Liquidação felina

O gato que é você veio em minha direção.
Esse seria um bom presságio ou um mau agouro?
A presença ambígua de personalidade cindida
Aqui permaneceu: ofereci compartimentos para.
O convívio me fez vacilar os passos, tranformar
Fui engatinhando, engatinhando...
mudei de postura e recomecei a andar
Agora nem sei que bem eu possa fazer
Ou que mal estou a sofrer.
A falta da chuva machuca, mas a presença alaga.
Sedenta ou afogada?
Solução, des-solução ou dissolução?
Sou fonte de escorrer ou cisterna de segurar?

Terça-feira, Novembro 29, 2011

Dias iguais, à sombra de sobras. A água que cai e o cinza que se impõe. Tudo igual. Folhagens já não farfalham, apenas encolhem com medo do frio, esse psicológico mal dos afetos. O frio, esse incentivo ao abraço dos apaixonados, quando vem para dentro da gente, resseca o óleo que escorria lânguido. Fica-se com o ar blasé impassível, o único que se pode, quando tudo está igual.

Terça-feira, Novembro 15, 2011

Resto de Rastro

Hoje o dia foi feito para chorar. Há quem desrespeite as imperiosas leis do clima, dessa natureza. Não é o meu caso. Sou fiel aos dias com suas determinações - pelo menos hoje sou fiel sempre, sem insubordinações. As imagens, os lugares passam pela minha janela (e tenho uma?) como fugindo de mim, como tudo o que passa deixando resto de rastro. Cada música - aleatória escolhida entre aquelas que eu já selecionei - é uma emoção, que acabo transparecendo: tristeza, esperança, dúvida, introspecção. Pai, te amo. Acho mesmo é que esse dia nasceu ao som de "Bohemian Rhapsody". O vento artificial provocado pelo movimento tenta secar meus olhos e minha lente de contato - um dos únicos contatos mais próximos que tenho tido no dia, mas não tem êxito: minhas lágrimas (impostas pelo dia; pelo que mais seria?) me umidificam, me humanizam e me recriam incessantemente.

Segunda-feira, Novembro 14, 2011

Gasto

Esses beijos molhados
em palavra gasta
são ósculos úmidos
Esse gosto gastoso
(por mais que lamba
não vai acabar - e
assim espero)
infindo da sua saliva
é sabor menta
ou saber mental?